Declaração pública resultante do Seminário Ligação para o Futuro – Ponte, Túnel ou Ambos? É Hora de Debater a Questãopromovido pela Associação de Engenheiros e Arquitetos de Santos e pelo Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva em 03 de agosto de 2009.
A ligação seca entre as duas margens do Porto de Santos e entre as cidades de Santos e Guarujá é vital para o desenvolvimento econômico da região da Baixada Santista. Tem também função de grande relevância para a logística de comércio internacional do país.
Para se ter uma idéia da importância dessa ligação, bastam dois números impressionantes: o de veículos leves transportados entre as duas cidades pelo serviço de balsas – o mais movimentado do mundo, ultrapassando a marca de 7 milhões de embarques por ano - e o de caminhões que se deslocam com cargas diretamente até a margem esquerda ou entre as duas margens do Porto pela Rodovia Cônego Domênico Rangoni que já bate na marca anual de 2 milhões e 500 mil apesar da redução de movimento que se deve à crise. Números esses, por sinal, que tendem a ser multiplicados expressivamente pela conclusão do Trecho Sul do Rodoanel, pela exploração do petróleo e do gás na Bacia de Santos e por projetos de expansão portuária em andamento.
Para se ter uma idéia da prioridade dessa obra, basta lembrar que o engenheiro civil e arquiteto Prestes Maia, ex-prefeito de São Paulo e referência nacional e internacional em matéria de urbanismo, já apontava em livro, publicado em 1949, a importância estratégica dessa ligação. Ou melhor, dessas ligações.
Por diversos motivos, diferentes fases históricas do país e da região se sucederam sem que a obra, sempre apontada como vital e prioritária, saísse do papel. Na verdade, nem ao papel ela chegou de maneira adequada.
Assim, é merecedora de todos os elogios e de todo o reconhecimento das comunidades envolvidas a iniciativa do governo estadual comandado pelo governador José Serra de finalmente concretizar esse passo decisivo.
Foi esse cenário, desenhado pela importância da obra e pela iminência da sua concretização, que motivou a Associação de Engenheiros e Arquitetos de Santos – AEAS - e o Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva – Sinaenco – a promover no dia 03 de agosto, o Seminário Ligação pelo Futuro da Baixada Santista – Túnel, Ponte ou Ambos? – É Hora de Debater a Questão.
É importante lembrar que nessa iniciativa a AEAS mantém uma tradição histórica de colaborar tecnicamente de maneira decisiva em questões de engenharia e arquitetura essenciais para a Baixada Santista. Um exemplo marcante é o da presença na sede da Associação para debater com a comunidade a construção da pista de descida da Rodovia dos Imigrantes, num momento em que o projeto enfrentava um impasse, do saudoso governador Engº Mário Covas, na época em pleno exercício do cargo. Podemos citar entre outras as ciclovias, os centros de convenções, a urbanização da plataforma do Emissário Submarino de Santos, a ampliação do Aquário Municipal.
Cabe considerar também que ao promover a discussão pública de obras dessa envergadura a AEAS se coloca a serviço da missão dos profissionais do setor tecnológico que é a de “Transformar recursos naturais em bens à Humanidade, melhorando a qualidade de vida, respeitando o meio ambiente e assegurando a sustentabilidade”.
O comparecimento maciço ao seminário sobre a ligação seca das lideranças mais representativas dos setores envolvidos: técnico, portuário, sindical, empresarial e político e a dimensão científica e representatividade das personalidades que compareceram para essa audiência técnica com a comunidade representam o melhor atestado da importância e do sucesso da promoção.
Assim a AEAS e o Sinaenco, em nome de toda essa comunidade envolvida, e em razão de deliberação tomada pela plenária durante o evento, e considerando as exposições técnicas manifestadas pelos três palestrantes, o presidente do Comitê Brasileiro de Túneis, engº Tarcísio Celestino, o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva, engº José Roberto Bernasconi, e o presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo, engº José Roberto Correia Serra, e dos professores dos cursos de engenharia das universidades Católica de Santos e Santa Cecília, respectivamente engº Kenji Kanashiro e engº Iberê Martins da Silva, expressam respeitosamente às autoridades municipais, estaduais e federais envolvidas com a ligação seca as seguintes recomendações:
1) Que todas as possibilidades técnicas sejam estudadas com detalhes em projetos preliminarmente básicos, que levem em consideração os perfis geológicos da região, não apenas a ponte e não apenas a ligação entre Ponta da Praia, em Santos, e Santa Rosa, em Guarujá, mais vocacionada para veículos leves, mas também as opções de túneis e pontes nesse local e em outros com estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental nos locais citados e principalmente com a interligação do Sistema Anchieta – Imigrantes com a Rodovia Cônego Domenico Rangoni nas imediações do Saboó e da Ilha Barnabé, mais adequada a veículos de transporte de cargas. É preciso considerar que os recursos investidos em estudos e projetos, além de representar uma parcela mínima do custo total das obras, representam também uma garantia de escolha da melhor opção técnica daquele momento e os melhores índices de custo-benefício.
2) Que sejam ouvidos nesse planejamento, além das prefeituras municipais de Santos, Cubatão e Guarujá, representantes de todas as comunidades envolvidas com a construção dessas ligações, como a portuária, a marítima, a energética (a Petrobrás inicia a exploração de petróleo e gás na Bacia de Santos), a aeroviária (a obra pode estar no cone de aproximação da Base Aérea de Santos que por sua vez está em processo de transformação em aeroporto civil), a ambiental, a empresarial ligada ao comércio externo do Brasil e a técnica, visando não colocar limitações ao Porto de Santos com impedimentos à chegada de navios e plataformas de grande porte, previstos para escalas na região nos próximos anos uma vez que a convivência com essa obra está destinada a pelo menos algumas décadas e pode afetar diretamente todos esses segmentos e as instalações portuárias existentes e planejadas.
Respeitosamente
Engº Marcos Teixeira
Presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Santos
Engº José Roberto Bernasconi
Presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva